


Era sempre assim. Todo dia, sempre á tarde, sempre no mesmo horário, ás 15:30, sempre quando ela estava melancólica, acho que por causa do horário ou do sol invadindo seu quarto, sim, era uma sensação nostálgica. Ela sempre se debruçava sob a janela, observando se sabe o quê, talvez os dias perdidos, as risadas calorosas, talvez ela ainda visse as crianças correndo debaixo da sombra da imensa mangueira que ficava de frente para a janela de seu quarto. Ela se incomodava com as folhas que invadiam seu cantinho de vez em quando, mas ela parou de ligar, se acomodou, se acostumou, assim como tudo em sua vida, era só questão de se acostumar. Ela passou a se incomodar mais com isso do que com as folhas da mangueira que caíam em seu quarto, ás vezes eram flores… Ah quando caíam flores! Ela costumava dizer que, nesses dias ela tinha sorte. Pena que eram raros os dias que isso acontecia, uma pena. Com o passar do tempo as crianças cresceram e com saudade, ela passou a observar aquela paisagem e relembrar, já que ela não podia resgatar toda aquela alegria incerta porém preciosa, que tanto incomodava o fato de chegar e ter ido embora assim, tão repentinamente e sem explicação. Acho que todas as alegrias são assim, chegam, vão embora e deixam saudade, ela costumava pensar. E talvez sejam mesmo, talvez não, elas são. — Lorenna Souza



